terça-feira, 27 de agosto de 2013

Preço padrão...


Em pesquisas de mercado, a avaliação do atributo preço, seja esse de produtos ou de serviços, costuma ser ruim, independentemente de ele ser alto ou baixo.
Mesmo diante dessa peculiaridade, não podemos ficar cegos em relação às discussões sobre o valor dos ingressos em jogos de futebol, principalmente, após as reformas dos estádios brasileiros.

Certos críticos comparam os valores aos praticados no futebol europeu, o que de fato seria um absurdo caso os parametrizássemos com o poder aquisitivo do brasileiro.

Entretanto, grande parte dos clubes tem folha salarial similar à de certos times europeus, além do que, os custos de operação de algumas arenas são bastante altos e precisam ser remunerados.



Trata-se de um problema de difícil solução, onde a hipótese de subsídios governamentais deve passar longe, até porque, certamente o valor envolvido nessa conta virá sob a forma de mais impostos para a população.
Tentar estabelecer políticas salariais também é difícil, pois há a influência de fatores exógenos, tais como o mercado internacional e dirigentes que visam apenas o curto prazo, deixando eventuais endividamentos para as gestões posteriores.
Curiosamente, o mesmo torcedor que reclama dos preços, também reclama de ter um time ruim, o que acaba pressionando o clube a investir em jogadores mais caros, que precisam ser remunerados, sendo que uma das fontes de receita é o preço do ingresso.
Obviamente se as redes de comunicação, que criticam os valores dos tickets, aumentassem o que pagam aos clubes, o preço dos ingressos poderia ser menor, mas para isso, elas também precisariam “fechar a conta”.
Ou seja, criticar os detentores de direitos de transmissão sem conhecer as respectivas estruturas de custos é repetir os mesmo erros que eles cometem ao criticarem o preço dos ingressos.
A equação fica ainda mais complicada, quando se presume que para o “conteúdo” ficar mais atrativo, com maior audiência e, consequentemente, mais interessante para os anunciantes, é recomendável que os times estejam reforçados, com estádios adequados e...cheios.
E assim roda a ciranda...
Apesar de reconhecer que todos os players envolvidos nessa operação devem rever seus números para uma solução de curto prazo, não há como negar que se trata de um problema muito mais ligado à estrutura econômica do país.
Dessa forma, cabe perfeitamente aqui um termo criado pelo mestre Edmar Bacha na década de 70, mas ainda bem atual: Belíndia - onde argumentava que o regime econômico brasileiro estava criando um país dividido entre os que moravam em condições similares à Bélgica e os que tinham um padrão de vida da Índia.
Hoje temos preços de ingressos e salários no futebol semelhantes às potencias europeias, porém um público potencial com poder aquisitivo bem diferente.



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Semelhante não é igual

O progresso da sociedade leva consequentemente a mudança de padrões e comportamentos, entretanto faz-se necessário discutir até que ponto e qual a velocidade de tais mudanças.

“Melhorar, aperfeiçoar e aprimorar” são verbos que denotam atitudes positivas, entretanto, há que se avaliar de forma mais meticulosa todos os fatores que envolvem tais progressos.
Quais as consequências das ações a serem implementadas, que público será atendido e como se situam num cenário de longo prazo são questões que devem ser debatidas detalhadamente.
Além do que, muitas dessas “mudanças” vêm embasadas em experiências ocorridas em situações muitas vezes diversas, tais como países e épocas.

Aliás, muitas vezes beira o limite do ridículo, argumentações baseadas em exemplos “estrangeiros” como se fosse uma verdade absoluta, ao invés de um mero parâmetro.


A Copa das Confederações trouxe à tona situações com essa característica, principalmente no tocante ao comportamento da torcida.

Restrições a instrumentos e até a assistir ao jogo em pé são alguns exemplos dessas tentativas de “legislar” que, por mais que tenham justificativas, não levaram em consideração os hábitos do brasileiro.
Não quero aqui defender ou atacar as medidas citadas, em minha opinião deveria haver espaços segmentados, onde em alguns fossem permitidas algumas formas de torcer e em outras não, até porque, muitos torcedores têm limitações que não lhe permitem assistir ao jogo em pé.

Minha intenção com esse texto é alertar que muitas das “regras” e determinações criadas, carecem de estudos mais elaborados a respeito de características locais, ressalvando que, se for para o bem da coletividade, é até aceitável que as mudanças ocorram.

Algumas empresas são ótimos modelos do que julgo como correto, valendo aqui citar dois cases interessantes:

O primeiro da Procter & Gamble que aumentou o tamanho de suas fraldas ao identificar que as famílias chinesas, incentivadas pelo governo, tinham apenas um filho.
Esse fato acarreta numa maior quantidade de lares compostos por 4 adultos (pais e avós), o que faz com que os bebês passem mais tempo no colo do que engatinhando, o que, consequentemente, deixa suas pernas mais grossas.

O segundo do McDonald’s que em função dos hábitos de cada país, desenvolve e comercializa produtos específicos como cerveja na Alemanha, iogurte na Turquia, massas na Italia, mc huevos no Uruguai e até big Mac sem queijo em Israel. 

Ou seja, o foco nos bons resultados passa mandatoriamente pelo estudo de mercado.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Covardes inglórios

Mesmo com os inúmeros casos de doping ocorridos no esporte, creio que o tema esteja longe da saturação.

Mudam as substâncias, os métodos, os controles, as modalidades, os flagrados e até os critérios de julgamento, mas os casos continuam a proliferar, a ponto de já existirem correntes defendendo a liberação das drogas.

Continuam também os discursos de inocência, até porque os que tiveram a hombridade de reconhecer prontamente seus erros foram banidos do esporte, o que parece denotar que mentir é mais valioso do que ser honesto.
Ou ainda de que errar duas vezes (doping e mentira) é mais vantajoso do que errar uma vez.

Além do que, surgem em função do doping os covardes e aproveitadores que se utilizam desse advento para tentarem capitalizar algum tipo de projeção.

Confederações com elevado número de atletas flagrados usam como argumento de defesa, o controle rígido que adotam, chegando ao ponto de “acusarem” as confederações com menos ocorrências de não fiscalizarem corretamente.

O argumento, além de covarde e desonesto, é burro, pois não leva em consideração que confederações com um número maior de filiados têm, em tese, maior probabilidade de eventos desse tipo, assim como também têm maior probabilidade de se encontrar mais atletas bem humorados, mais atletas mal humorados e até mais cleptomaníacos, por exemplo.

Muito provavelmente, caso essas confederações tivessem um índice baixo de dopados estariam se vangloriando por tal êxito.
Ou seja, sempre terão uma explicação para se fazerem parecer melhores do que os outros.

Todavia, mesmo que houvesse efetivamente um maior controle de doping por parte dessas confederações que levantam suspeitas sobre outras, dá para se concluir diante de certas declarações que a rigidez no controle sobre a escolha de seus gestores tende a zero.

Claro que o mundo dos esportes embute uma maior competitividade nos que lá transitam, o que é normal e até saudável, porém, é inadmissível que dirigentes deixem de lado a ética, se é que um dia já tiveram, para obter projeção de forma covarde.
A competição por verbas, patrocínios, espaço na mídia e atletas sempre irá existir, só que a forma de se sair vitorioso nesses embates deve se dar através de uma gestão competente e, sobretudo, ética.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Demolir ou não? É essa a questão?


Todas as pessoas que acompanham o mundo dos esportes, mesmo os que não residem no Rio de Janeiro, já devem ter tomado conhecimento da discussão sobre a demolição do Parque Aquático Julio de Lamare e do estádio de Atletismo, Celio de Barros, ambos pertencentes ao Complexo Maracanã.

O tema surgiu em função da reforma do estádio de futebol, que para ficar mais atrativo à iniciativa privada, deveria dar um novo aproveitamento, esse mais ligado ao entretenimento e com maiores possibilidades de receitas às demais áreas do complexo. 
As empresas que disputavam a concessão do estádio ficaram a favor da demolição e se comprometeriam a construir as mesmas instalações em outras áreas.
Grande parte dos torcedores de futebol também foi a favor dessa solução.
Do outro lado ficaram as comunidades dos esportes olímpicos, principalmente aquáticos e atletismo e boa parte da população.

Após inúmeras discussões, manifestações e desrespeito aos contratos, parece que a demolição foi cancelada.
Os argumentos de cada parte são bastante válidos e, por já terem sido bastante explorados, creio que não seja aqui o local para discuti-los de forma detalhada.

Na verdade, criou-se com essa celeuma uma cortina de fumaça que oculta a causa maior do problema: a falta de instalações esportivas no país, o que faz com que uma eventual demolição se transforme num enorme problema, afinal, o número de instalações disponíveis não condiz com o tamanho do país e do que dizemos pretender com o esporte.
Algumas capitais do Brasil não dispõem sequer de uma piscina olímpica e pistas de atletismo são artigos de luxo, ao contrário do que ocorre em países mais desenvolvidos.
Isso sem falar da falta de respeito de parte da população em relação a ciclistas, corredores e demais praticantes de esportes.

Tal imbróglio ficaria até salutar se versasse pelo aspecto de tradição ou histórico das instalações, porém, infelizmente, não é o caso.
Enquanto nossos governantes e, consequentemente, a população não conseguirem ver o esporte como um forte agente educativo de formação e de inclusão, tais “disputas” irão ocorrer e sem vencedores, o que é mais lamentável.
Evidentemente, se pensarmos no curto prazo, o fato de existirem mais pessoas praticando atividades esportivas pouco agregará para a sociedade, no entanto, essa inclusão esportiva irá propiciar no futuro, uma população mais saudável e cidadãos mais conscientes, o que, talvez, não seja o objetivo dos atuais governantes.

Então demole, ou não...e não se discute a correta questão.